Testemunho #10 | Sara

Sara, amamentou a Filha mais velha 42 meses e amamenta a mais nova há 17

Olá o meu nome é Sara, tenho 35 anos e sou mãe da Benedita com 5 anos e da Alice com 17 meses.

Na 1ª gravidez confesso que não li nem explorei muito sobre a amamentação, mas foi um tema bastante abordado nas aulas de preparação para o parto no Centro de Saúde, onde aliás tive um acompanhamento 5* tanto na gravidez como no pós-parto. Durante a gravidez, abordei o tema com a minha mãe, das poucas pessoas que tinha como referência sobre a amamentação, dado que próximo eram escassas as amigas que tivessem já passado pela experiência. Eu própria fui amamentada somente até aos 3 meses, período há 36 anos atrás de licença de maternidade. Não havendo as técnicas, nem a informação, que agora há sobre tirar leite, conta a minha mãe que aos pouco foi secando, com muita pena dela.

O parto da Benedita foi na Maternidade de Júlio Dinis, a 11/11/2011, bastante longo, não com muitas dores, mas não tinha dilatação suficiente, e após uma espera de 17 horas, lá chegou a princesa de parto normal que, mal acabaram de a limpar, colocaram-na logo ao peito. Acho que foi nesse momento que verdadeiramente compreendi a importância e o vínculo que iríamos criar dali em diante!
Pegou bem no peito direito mas do esquerdo foi mais complicado porque tinha o mamilo raso. Com ajuda de enfermeiras da Maternidade, que chegaram a estar 2 horas seguidas comigo durante a primeira noite a ajudar, e também das enfermeiras do C. Saúde, depois em casa, com a técnica da seringa, lá conseguimos ultrapassar a primeira dificuldade.
Já em casa, o 2º momento mais complicado foi a "subida" do leite, que não sabia o que fazer... Se por um lado era a roupa toda molhada que não havia discos que aguentassem, por outro era a bebé que se engasgava com tanto fluxo, mesmo eu tentando tirar algum com a mão momentos antes... na segunda semana comecei a tirar com a bomba para ir armazenando, emprestada à pressa que, para além de não ter nenhuma, nem sequer tinha pensado que seria necessário tão cedo.

Dia após dia, lá fomos juntas caminhando um trilho para ambas desconhecido, novo e com muitas dúvidas, ouvindo as mais diversas histórias, opiniões e barbaridades, e contra olhares recriminatórios e com muito orgulho, lá conseguimos chegar aos 42 meses, altura já grávida da Alice. É certo que nesta jornada foi muito importante o apoio do meu marido, que nem sempre se fala no papel do pai, mas é um elemento chave neste processo. No meu caso foi um pilar de apoio.
Passados 5 anos, posso dizer que a Benedita a única vez que tomou antibiótico foi devido a uma infeção urinária e o fibroadenoma da mama, que eu tinha há mais de 10 anos, desapareceu com a amamentação, não esquecendo que passados 3 semanas do parto já tinha perdido 13 kg dos 20 que aumentei, ou seja, para mim é só benefícios 😊, embora claro que cada caso é um caso e não somos todas iguais.

A Alice, nasceu a 13 de Outubro de 2015, o parto foi no Hospital Privado, devido a ter ficado com uma circular teve de ser cesariana, e, à semelhança do primeiro parto, também a colocaram logo ao peito.
Tendo a experiência da filha mais velha, foi tudo mais simples, já sabia como gerir o fluxo do leite, as primeiras dores, até porque não tinha passado tantos meses assim que a mais velha tinha deixado de pedir, por iniciativa própria.
O meu receio era precisamente dela voltar a querer mamar e aí sim como iria conciliar as duas e se deveria permitir ou recusar..... Foi um misto de emoções e dúvidas ao mesmo tempo. Houve, efetivamente, a fase de querer mamar novamente, nunca recusei, mas ela própria depois deixou de pedir, não tendo passado apenas do “experimentar”.
O momento mais constrangedor foi numa das primeiras saídas para consulta, que por conselho de uma enfermeira comprei as conchas da Medela e ao baixar lá saiu o leite todo pelos buracos das conchas…….. Decididamente para o meu fluxo as conchas são terríveis e foram logo colocadas de lado naquele dia.

Entraram ambas para o infantário aos 14 e 12 meses respetivamente e sempre fiz questão de deixar todos os dias o leite materno. Confesso que adoro a cara de surpresa que fazem quando, no iníco, falo do assunto e ficam a olhar para mim como se eu fosse de outro mundo, mas passado o espanto é bom receber elogios!!! É sem dúvida uma lacuna grande nas creches ou infantários porque, efetivamente, não há tantos casos assim de amamentação prolongada. Todos os dias a bomba trabalha 😊 e lá vão 150 a 180 ml de leite para as papas!

Por cá, espero continuarmos esta jornada até ela deixar de pedir porque é um momento único, só nosso e passa tão rápido!!!!


 #AmamentarEnquantoOsDoisQuiserem

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