Eu Escolho Amamentar!

Créditos fotográficos: Fokate
(fotografia tirada, a convite da Câmara Municipal de Gaia, no âmbito da Semana Mundial do Aleitamento Materno)

No Domingo o Rodrigo fez 2 anos!
Por isso fizemos, também, 2 anos de amamentação 😍!

Antes de ter o Miguel, eu não tinha nenhuma opinião formada sobre a amamentação. Não posso dizer que sempre me imaginei a amamentar, porque, de facto, não era esse o caso. Durante a gravidez fui-me informando, lendo e perguntando e cheguei à conclusão que era o melhor para o meu Filho, e, por isso, queria amamentá-lo. Apesar de ter imenso receio, principalmente por causa de todos os mitos que acabamos por ouvir (a maior parte das vezes de pessoas a quem não perguntámos nada, mas que insistem em dar-nos a opinião delas), consegui amamentar o Miguel desde a primeira hora de vida! E sempre tivemos uma história tranquila, sem sobressaltos de maior, sem dores, nem dúvidas sobre a qualidade do leite que o fazia engordar muito bem e o mantinha feliz, calmo e relaxado. Talvez por ter sido tudo tão pacífico, quando, por volta dos 10 meses, ele decidiu fazer uso dos lindos dentinhos, que tinham acabado de nascer, eu não fui capaz de ultrapassar a dificuldade. Mãe de primeira viagem, tinha pavor a que o menino passasse fome (sim, eu sei que ele já comia outras coisas, mas fazer o quê...). Então, depois de uma semana de tentativas vãs, para que ele mamasse sem me morder, liguei ao pediatra em desespero, a perguntar que leite lhe podia dar 😢. Ele ainda tentou dissuadir-me, e convenceu-me a esperar mais uns dias, a ver se aquela fase lhe passava. Mas, no fim desses dias lá lhe dei um biberão, com leite de fórmula, com muita pena minha. E o safado gostou e desmamou num instante! Na altura achei que seria um desmame natural, que tinha chegado a hora. Hoje, sei que, se não lhe tivesse dado alternativa, provavelmente não teria desmamado tão cedo... E sempre que penso nisso, penso em todos os "E se..." que me ocorrem e mais alguns, nomeadamente a diferença em termos de bronquiolites que o Miguel tem e o Rodrigo não tem... Mas não vale a pena pensar nisso, porque nada posso fazer para mudar o que aconteceu. E, na altura, tomei a decisão que achei ser a melhor para o meu Filho!

Quando nasceu o Rodrigo, para mim, era claro que queria amamentar! Confesso que não conhecia, na altura, muitos casos de sucesso na amamentação do segundo Filho, mas eu estava determinada a dar ao Rodrigo o melhor alimento que lhe podia dar: o leite materno.
Aos 2 meses e pouco, depois de um susto tão grande, que eu nem me quero lembrar, tive que espessar o meu leite. E, aí, a coisa esteve tremida! Eu queria muito amamentar! E não, não era porque alguém mo impusesse, com supostos fundamentalismos sobre o leito materno. Eu conhecia os factos sobre o leite materno. Sabia, porque me informei, das suas propriedades e que não havia leite no mercado que lhe chegasse aos pés (por muito que campanhas mais ou menos diretas nos queiram fazer acreditar noutra coisa!). E, por saber isso, sabia que queria esse leite para o meu Filho! Foram umas semanas duras, porque eu tinha que tirar leite para dar ao Rodrigo, não tinha qualquer stock e tinha também o Miguel, com 2 anos e pouco, em casa comigo. Tive que lhe dar leite de fórmula (acho que chorei cada gota que lhe dei desse leite!), porque o susto e a estimulação diferente (muito menos eficiente) da bomba fizeram com que a minha produção de leite diminuísse drasticamente. Mas consegui recompôr-me, fazer o meu stock, dar maioritariamente leite materno, espessado e, depois, voltar à mama! Primeiro, gradualmente, e depois em exclusivo! Foi uma grande vitória, da qual me orgulho imenso 😍. Acho que essa luta me ajudou a criar resiliência para tentar perceber como podia ultrapassar pequenas dificuldades, como a questão das mordidelas, que o Rodrigo também passou, ou outras fases de perda de interesse pela mama, ou outras ainda de "excesso" de interesse. E, assim, contra as minhas melhores expectativas, chegámos aos 2 anos de amamentação! E continuaremos enquanto os dois nos sentirmos bem e quisermos.

Não deixa de ser curioso, no entanto, que, apesar das recomendações da OMS dizerem que a amamentação se deve manter, pelo menos, até aos dois anos da criança (e, depois disso, enquanto a Mãe e o Filho assim o entenderem!), se diga que a amamentação de uma criança de 2 anos é "prolongada". Quase que a sugerir que já é para além do tempo...

Antes de continuar a escrever este post, quero deixar aqui uma nota: cada Mãe deve encontrar o seu caminho, o que acredita ser o melhor para o seu Filho. Como já escrevi, amamentar é um verbo que só se deve conjugar na primeira pessoa! Este post não pretende insinuar que quem escolheu um caminho diferente do meu tenho feito mal! É apenas o meu testemunho! 

Eu sou defensora da amamentação, sim. Acho que, principalmente quem seguiu o percurso da minha petição, sabe qual é a minha opinião. Mas a amamentação é algo que faz sentido, para mim! Faz parte do meu plano de maternidade! Não tem que ser assim para toda a gente.

Acredito, no entanto, que ainda há um longo caminho a percorrer no que diz respeito à informação que se presta sobre o assunto e no apoio que se presta às Mães que querem amamentar. Com 88% dos bebés amamentados às 5/6 semanas e apenas cerca de 50% aos três meses, deduzo que, apesar de muitas Mães quererem amamentar, não têm o apoio de que necessitam e acabam por desistir. Mas, como muitas vezes é mais uma consequência, do que uma decisão, pode deixar um sentimento de frustração que poderá comprometer a possibilidade de aquela Mãe vir a amamentar outro Filho e, até, o testemunho que passa a futuras Mães. O que acaba por, possivelmente, estar na base do sentimento de pressão que muitas Mães dizem sentir para amamentar (estou a supor, porque eu nunca senti essa pressão externa).
Eu só posso falar do meu caso e do que vejo à minha volta. Mas, quando eu dei leite de lata aos meus Filhos, a tristeza que eu senti era intrínseca. Era apenas motivada por convicções minhas! Nunca ninguém me tentou "impingir" o leite materno. E, apesar de ter muita pena de não ter conseguido ir além dos 10 meses de amamentação do meu Filho mais velho, não acho que a informação sobre os benefícios do leite materno deva ser contida e comedida, porque eu optei por parar. Antes pelo contrário! Foi essa mesma informação que me permitiu ultrapassar esses obstáculos quando tive o meu Filho mais novo.
Aliás, se há pressão que eu conheço (por histórias que me contam, porque, felizmente, os profissionais de saúde que me acompanham nunca o fizeram!) é precisamente a contrária: introduzir o leite de lata, introduzir os sólidos precocemente, etc., etc.
Basta olhar para os dados para concluir que, para já, em Portugal, a pressão para parar de amamentar ainda é (muito!) superior à pressão para amamentar!

E, por tudo isto, tenho a certeza que, se o título deste post fosse "Eu dei leite de lata aos meus Filhos", teria muito mais visualizações, comentários e partilhas. No entanto, isso retiraria a conclusão do meu post: amamentar é uma escolha! E essa escolha, não é sempre um mar de rosas! Tem momentos melhores, momentos piores. E nós Mães, temos que aprender a ouvir o nosso instinto e a segui-lo! Não tem mal nenhum uma Mãe decidir parar de amamentar um Filho. Não tem mal nenhum uma Mãe não querer amamentar um Filho. É uma escolha sua!

Mães que me estão a ler, por favor, informem-se. Com base na informação, tomem a vossa decisão. Aquela que o vosso instinto disser que é a melhor para o vosso Filho, para a vossa Família. Decidam em consciência e, principalmente, de consciência tranquila! E, por favor, não se julguem umas às outras! Todas damos o nosso melhor. E somos todas as Melhores Mães que os nossos Filhos podem ter!


(Os dados referidos neste post, foram retirados do relatório da DGS, sobre o Registo do Aleitamento Materno, de 2013)



 #AmamentarEnquantoOsDoisQuiserem

Comentários

marcia disse…
Mesmo, somos as melhores mães que os nossos filhos idem ter.
Obrigada pela partilha.
Eu também amamentei a minha pimpolhinha.
Carina Pereira disse…
😍💝😘

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