Ter (mais) Filhos

Alguns dos companheiros de brincadeira dos primeiros tempos

Há dias andava a arrumar os brinquedos dos miúdos e encontrei alguns de bebé, daqueles que já nenhum deles liga muito. E fiquei a olhar para eles, sem saber o que lhes fazer.

Nunca os chegámos a arrumar porque sabíamos que, mais cedo ou mais tarde, viria mais alguém brincar com eles (o Miguel tinha um ano e pouco quando eu engravidei...).

Mas, agora, não temos planos para aumentar a Família. Por isso faria sentido dar os brinquedos a quem tenha bebés pequenos, ou a alguma instituição que lhes desse um bom destino. Só que a sensação que tenho é que, ao desfazer-me dos brinquedos estou, também, a assumir que, essa decisão é definitiva...

E, apesar de esse ser o cenário mais provável, eu ainda não estou preparada para essa decisão!

Eu nunca fiz planos de quantos filhos queria ter. No máximo, dizia que, se tivesse Filhos, queria mais que um. Apesar de eu ter irmãos, os meus irmãos mais velhos só estavam connosco de vez em quando, e quando o mais novo nasceu eu já tinha 18 anos. Por isso, costumo dizer que fui a filha única com mais irmãos que eu conheço... E ser filha única é uma seca!

Adorei estar grávida, apesar de duas gravidezes de risco, das injeções diárias e dos enjoos no primeiro trimestre (que durou para lá dos 4 meses)! A perceção da dádiva de gerar uma vida, de a carregar e pôr no Mundo e a certeza de que eles são um pedaço de mim, superam tudo o resto!

Ter um recém-nascido em casa é extraordinário! Aquele cheirinho, a entrega, a conquista diária, apesar da privação de sono, é fascinante! 
 
Quando fui Mãe percebi que eu nasci para isto 😍!
Adoro tudo!
Adoro a forma como, por eles, me transformo numa pessoa melhor!
Adoro os abracinhos e beijinhos fofos!
Adoro o cheirinho bom!
Adoro as brincadeiras que fazemos, procurar coisas divertidas que acho que eles vão gostar, sentar-me no chão a fazer legos (que boa desculpa que eu agora tenho...)!
Adoro encontrar programas para fazermos em Família, mostrar-lhes o Mundo!
Adoro o desafio de procurar estratégias para conseguir ultrapassar as dificuldades do dia a dia!
Adoro a bênção de os ver crescer!
Adoro ser o porto seguro deles, mesmo que, por vezes, seja extremamente cansativo!

Mas, apesar de uma certa distância, me permitir já romancear um bocado certas fases e dificuldades, a verdade é que também me lembro de, durante o início da gravidez do Rodrigo me perguntar, com tantos enjoos, com aquela ansiedade de querer saber se estava tudo bem com o meu pequenino, de contar os dias até à próxima consulta porquê que eu gostava daquilo afinal.

Também me lembro de, com as noites mal dormidas, típicas de quem tem um bebé em casa (que, ao contrário do Miguel, que melhorou logo aos 2 ou 3 meses, com o Rodrigo durou até aos 8 ou 9...), me perguntar porquê que eu gostava de ter um bebé pequeno em casa.

E, agora, nesta fase do Rodrigo, em que ele ainda não fala, mas já tem tantas vontades e desejos, e dificuldade em expressar-se, ao mesmo tempo que só a Mãe serve para tudo e mais alguma coisa, enquanto o Miguel está também a passar por uma fase de Mãedependência, com a despedida da chupeta, de me perguntar se aguentaria mais um nesta equação de difícil equilíbrio.

Agora que vislumbro uma possibilidade de vir a ter algum tempo para mim, uma vez que o Rodrigo já começa a brincar sozinho e eu tenho a expectativa que eles comecem a conseguir brincar os dois, em breve. Agora que o Miguel já está tão crescido, e independente, já come quase sempre sozinho e até já de despe e veste. Agora que não tenho que me preocupar com sopas especiais e que já comem os dois de tudo.  Será que me apeteceria, mesmo, voltar tudo atrás?

Se, tantas vezes, já acho que o Miguel teve mais sorte que o Rodrigo no acompanhamento e dedicação a cada uma das fases do seu crescimento e desenvolvimento; se já acho que falho tantas vezes no conhecimento mais profundo dos interesses de cada um deles, individualmente, como é que seria se houvesse mais um pimpolho a dividir as atenções da casa?

Se já é tão difícil conseguir uns momentos para estarmos os dois, já na maior parte dos dias acabamos por adormecer a adormecê-los, ou então logo a seguir, no sofá, assim que começamos a ver alguma coisa na televisão, como é que seria se voltássemos a ter um recém-nascido em casa?

Já para não falar na questão financeira, claro! Principalmente agora. Se já é difícil com dois, imagino com 3... Se já há tanto que eu gostaria de fazer com eles e não faço, imagino se fosse mais um!

Além das dúvidas existenciais: depois de já ter tido a sorte, apesar do risco das duas gravidezes, de correr tudo tão bem, seria prudente tentar a sorte uma terceira vez?

Certo é que, para já, o lado da balança do Não, pesa mais que o do Sim. E não sei se algum dia isso vai mudar! E nem adianta dizer que é para mandar vir a menina, primeiro porque não é nenhum azar ter dois rapazes (gostaria mesmo que parassem de dizer coisas como "Oh, dois meninos, deixe lá, o importante é que tenham saúde!" 😠) e segundo porque eu tenho a convicção que seria o terceiro rapazinho 💝💝💝 (assim como tinha que o segundo seria um rapaz, e não foi por isso que deixámos de ter o segundo filho!).

Mas, ainda assim, falta-me a coragem de me desfazer da roupa que deixa de servir ao Rodrigo e dos brinquedos que já nenhum deles liga!

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