Escola a tempo (mais do que) inteiro

Infelizmente, a sociedade (supostamente) moderna, obriga as crianças a passar muitas horas na escola. O principal motivo é que se os Pais trabalham 8 horas por dia, mais uma hora para almoço, isso significa que as crianças passarão mais de 9 horas por dia na escola. Muitas vezes, bem mais, se contarmos com a distância entre a escola e o trabalho dos Pais (e a sensação de que não passamos tempo que chegue com os nossos Filhos a crescer a cada dia!)...

Além disso, o próprio Ministério da Educação impõe horas letivas desde o Jardim de Infância. Por isso, mesmo que os Pais possam ir buscá-los mais cedo, a partir dos 3 anos (!!!!) as escolas começam a "impor" horário de entrada e de saída. Se, ao horário normal da escola, somarmos as atividades extra curriculares e os malfadados trabalhos de casa, torna-se uma sobrecarga enorme, desde muito cedo.

Por outro lado, com a idade da reforma a ser cada vez mais adiada, mesmo os Pais que morem perto dos Avós, nem sempre podem contar com a sua ajuda para ir buscar os pequenos.

Sem dúvida que uma solução que ocupe os Filhos, enquanto os Pais trabalham, é urgente e fundamental. Mas tem que ser uma solução pensada em função das crianças. Quando nem o próprio sistema de ensino, que obriga crianças de 6 anos a ficar sentadas numa sala de aula o dia todo, se adapta às crianças (que, na sua grande maioria, começam a ser treinados aos 5 anos, para quando chegarem à escola primária já estarem bem amestradas), como esperar que as atividades extra curriculares o façam? Estas são, normalmente, uma continuação do que já fizeram todo o dia! Resultado: crianças desmotivadas, cansadas, irritadas!

Mas também será legítimo ver a questão do outro lado!
A verdade é que a entrada das mulheres no mercado de trabalho é, em termos históricos, uma situação recente. Assim como, a maior participação dos Pais nos cuidados aos Filhos.
Por isso, na minha opinião, o mercado de trabalho ainda não se adaptou a esta realidade. Ainda não se apercebeu que não tem que ver a Família como o principal inimigo do Trabalho. Que ambas as realidades podem ser conciliadas de forma harmoniosa!

Será mesmo necessário trabalharmos 8 horas por dia? Será mesmo um crime tão terrível quando um Pai ou uma Mãe falta para dar assistência aos seus Filhos? Qual é o impacto que uma política mais amiga da Família tem na produtividade dos trabalhadores?

Será que não é altura de as empresas começarem a pensar nisto? Exemplos de empresas, muito bem sucedidas, com políticas de apoio à família bem estruturadas e implementadas começam já a surgir. E que sirvam de inspiração a outras!

E que podemos nós fazer para ajudar a que essa reflexão se faça, e se torne a regra e não a exceção?


Imagem retirada da Internet

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