O Regresso à Escola

Setembro sempre provocou em mim sentimentos contraditórios. 
Por um lado, costuma ser um mês agradável, com dias bonitos e com sol, temperaturas de Verão, um mês para planear, (re)começar, lançar desafio e compromissos, quase como se fosse Janeiro, com bom tempo! 
Mas, por outro lado, é o mês que marca o fim das férias, da praia, dos dias super compridos, do descanso, foi mês de exames, durante muitos anos, mês de regresso às aulas, ao trabalho. Mês de banho de realidade!

No ano passado, foi mês de tortura pura! Quando deixei o Miguel na escola, pela primeira vez (e pela segunda, e por aí fora), acrescentei uma escala ao nível de dificuldade das coisas. Com o tempo as coisas melhoraram, mas ele continua a preferir sempre ficar em casa a ir à escola.

Este ano tive a possibilidade dele fazer dois meses de férias :)
Ele adorou! Mas passou a correr...

Esta semana foi tempo de retomar as rotinas e regressar à escola. Estávamos preparados para o pior! Mas, para nossa surpresa, o primeiro dia correu lindamente: chegou, foi ter com os amigos, e só veio dar-nos um beijo porque pedimos. 
À noite, começou a súplica para não ir novamente à escola. Ontem chorou imenso. E hoje de manhã, igual :'(

Eu logo vi, que estava a correr bem demais!

Não há dúvida que a maternidade traz imensas coisas maravilhosas, gratificantes, indescritíveis, até! Mas traz também um permanente sentimento de culpa, um medo constante de errarmos, de prejudicarmos de alguma forma a possibilidade de os nossos Filhos terem um Futuro brilhante...

Se somos Mães a tempo inteiro, temos medo de não estar a passar o exemplo correto, de estarmos tão embrenhadas nas tarefas do dia-a-dia que deixamos escapar os momentos especiais com eles. Se trabalhamos fora, achamos sempre que não passamos tempo suficiente com eles e que temos sempre que (n)os compensar pelas nossas ausências. Se não os pomos na escola, temos receio de não lhes estarmos a permitir conhecer e brincar com outras crianças, sociabilizar. Se os mandamos para a escola, temos a sensação de estarmos a abandonar os nossos Filhos no meio desconhecidos e perguntamo-nos se eles precisam mesmo de tanta sociabilização, ou se ficarem com alguém que os ame incondicionalmente não seria melhor para eles. Se só temos um Filho, temos pena de não lhe dar a alegria de ter um irmão, um amigo para a vida. Se temos mais do que um Filho, temos medo de não lhes podermos proporcionar o conforto que gostaríamos, de lhes dar a atenção que cada um merece. 

De todas as decisões que já tomei, pelos meus Filhos, iniciar a escola foi, sem dúvida, a mais difícil e a mais dolorosa. E, descobri agora, que a cada recomeço traz de volta a dificuldade e a dor!

Só de pensar que (se tudo correr bem), daqui a um ano é "vezes 2", até tenho calafrios...

Imagem retirada da Internet

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