A Experiência da Amamentação, v2

Para mim, o leite materno é o melhor alimento que podemos dar aos nossos bebés. Além de ser o único produzido para cada bebé, que se adapta e evolui conforme as suas necessidades, é também benéfico para as Mamãs, com vários estudos a indicar que amamentar reduz o risco de vários tipos de cancro, como o da mama, dos ovários e do útero, ajuda o útero a voltar ao sítio, depois do parto, entre outros benefícios (podem ver aqui um artigo que fala das vantagens da amamentação para o Bebé e para a Mãe).

A OMS recomenda a amamentação exclusiva até aos 6 meses e que se mantenha, pelo menos, até aos 2 anos da criança. Por muito difícil que seja o início (que, às vezes é!), a médio e longo prazo é o melhor para os nossos Filhos.

Em Portugal, mais de 90% das Mães inicia a amamentação, mas muitas desistem no primeiro mês de vida dos Bebés. E este é um dos momentos em que, eu acho, se devia intervir. O acompanhamento das Mães é fundamental! Num momento em que as Mães estão, particularmente, vulneráveis, é imprescindível ter o apoio certo para poderem ultrapassar as dificuldades e gozar em pleno a satisfação de amamentar os seus Bebés. A pressão para dar leite adaptado é enorme! E vem de todos os lados: família, amigos, trabalho e, até, profissionais de saúde.
Dados da DGS dão conta que apenas 22% dos bebés são amamentados em exclusivo, quando chegam aos 6 meses. Por isso, parece-me evidente que a pressão para introduzir outros alimentos, na dieta dos bebés, continua a ser superior ao apoio à amamentação, pelo menos, nos 6 primeiros meses de vida (e foi este um dos motivos pelos quais criei a petição que pede o aumento da licença de maternidade para os 6 meses).

Quando o Miguel nasceu, marinheira de primeira viagem, tinha muitas dúvidas, incertezas e inseguranças. A grande maioria não passavam de mitos (será que eu iria ter leite?, o meu leite seria bom?, será que me ia doer?). Felizmente, correu tudo lindamente, e as dúvidas passaram mal o puseram a mamar, encostadinho a mim, na sua primeira hora de vida :)
Mas não durou tanto tempo, como eu gostaria. Apesar de termos conseguido os 6 meses de amamentação exclusiva, aos 10 meses ele desmamou. Por um lado o mito de que eu já não teria leite suficiente, por outro o facto de ele ter estado com o nariz entupido e ter rejeitado a mama (com umas mordidelas à mistura!) e eu ter ficado aflita que o meu bebé passasse fome, fizeram com que lhe desse um biberão de LA, só enquanto o nariz estivesse entupido. Resultado: ele aprendeu que dava muito menos trabalho beber leite no biberão do que na mama e deixei de o amamentar :(

Quando o Rodrigo nasceu, eu já não tinha quaisquer dúvidas de que o ia amamentar e que nenhum biberão ia chegar, sequer, perto dele. Mas, ele decidiu trocar-me as voltas, e pregar-me o maior susto da minha vida! Passámos um mês e meio a tirar leite com a bomba, 7 a 8 vezes por dia, e a dar-lhe, espessado, pelo biberão. Foi um mês e meio muito duro! A ideia de que não ia conseguir amamentar o meu Filho, cortava-me o coração. Mas, resumindo um longo mês e meio de bomba, conseguimos! Ao fim de um mês começámos a reintroduzir, gradualmente, a mama, até regressarmos à mama, em exclusivo, sem bombas, nem espessantes, nem biberões (como eu odeio biberões!).
E assim foi até aos 6 meses :)
E continua, já com 13 meses!
Desta vez aprendi a ser mais paciente. A ter a certeza que, se não lhe apetecer mamar um dia, não vai passar fome. A confiar no meu corpo e na produção de leite suficiente para o que ele precisa. A ter a certeza de que o leite não fica fraco e que irá ter a melhor composição de que ele necessita!

Porque, para mim, o leite materno é o melhor alimento que podemos dar aos nossos bebés!

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